10 de setembro de 2012

O Imperador, o Arquétipo do Pai




Ele está sentado em seu trono, com o cetro real na mão direita e ao seu lado tem o escudo com a figura da águia dourada, e na lâmina do Tarot de Marselha, está de perfil e suas pernas estão cruzadas, formando o número 4.

É um homem mais velho e seu semblante é calmo, porém firme.
Em alguns tarots, é visto de frente, às vezes sem o escudo, mas sempre com o cetro em mãos.
O imperador, Arcano número 4 do Tarot, é a manifestação do arquétipo da autoridade, do Pai, do dirigente, do comando, da liderança, proteção e sobretudo, da Justiça sobre os homens.

Ele é o Rei em seu verdadeiro sentido, não como os reis que existiram ao longo da História e que ainda existem, cujos poderes foram herdados de seus ancestrais e que foram mantidos através da política e dos interesses das classes dominantes.

O Imperador do Tarot, soberano, majestoso, justo, não precisa se impor.

Sua autoridade é reconhecida por seu povo, uma vez que ele o protege, orienta, inspira e guia, através de sua Justiça, Sabedoria e de todos os seus talentos elevados.

O Imperador é um líder, por causa de sua natureza magnânima, equilibrada, porque  traz disciplina onde há desordem; justiça onde há injustiça; espírito de coletividade onde há egoísmo; planejamento onde há displicência; diálogo onde há discórdia, responsabilidade onde há leviandade e proteção onde existe abandono.

Ele é a bússola, a “rosa dos ventos” de uma nação, de um povo, de uma família, de uma comunidade, que o segue e obedece, não por tirania ou força, mas por respeito e reconhecimento de sua autoridade e integridade naturais.
Ele é o Pai, o arquétipo do protetor e orientador e a ausência dessa figura na psique individual ou coletiva gera danos sociais, psicológicos e espirituais àqueles que estão em desenvolvimento, sejam eles crianças, adolescentes ou adultos de um país em formação social, seres que ainda precisam de muito aprendizado para poder evoluir como pessoas ou como nação.

Quando o Imperador não está presente, tomam conta do indivíduo ou de toda uma população, ou ainda de uma família a desordem, a indisciplina, a ignorância, o “cada um por si”, o egoísmo, injustiças de todas as espécies, criminalidade, amoralidade, falta de ética, covardia, hedonismo, corrupção, falta de direção, vícios, insegurança, alienação e toda forma de desonestidade, levando as pessoas a uma forma de convívio predatório e desumano entre seus pares.

Infelizmente é o caso de um país como o Brasil, país no qual nasci, vivi e resido e que sofre com a ausência desse arquétipo fundamental, tanto no plano coletivo, como no cada vez crescente, plano individual.

Os criminosos, de todos os tipos e níveis, os corruptos, os fúteis e os amorais, há muito tempo tomaram conta da nossa sociedade, comandando, ditando valores, expondo modelos a serem seguidos, tomando lugares através da política, entrando nas casas através da mídia, principalmente da TV, com sua programação putrefata, transformando toda uma população numa massa amorfa e covarde, sem cérebro, sem crítica e sem nenhuma orientação e que sofre toda espécie de manipulação mental e todo tipo de condicionamento alienante, sem reagir, feito gado indo para o matadouro.

É uma tirania silenciosa e disfarçada.

É proposital que aqui, a Educação, a Saúde em todos as suas áreas, os meios de transporte e o lazer, principalmente aqueles do tipo que agregam as pessoas e não os do tipo que as segregam, tenham virado pó, neste país, ao longo do tempo! 

Cada dia vemos crescer neste país o número de jovens infratores, que cometem todos os tipos de crime e segundo todas as estatísiticas, esses jovens criminosos, em sua maioria, não possuem a presença do pai em suas vidas.

São crianças e jovens criados sem a figura paterna; porque, infelizmente, ao Brasil como nação e a milhões de brasileiros, de todas as classes sociais, faltam essa figura, o Pai, o Imperador.

Mas ainda há, creio eu, uma pequena porção de Pais, de orientadores, guias de sua família (o seu povo), ou guia de comunidades inteiras, que orienta, que eleva, que proporciona aos outros o crescimento, em todos os sentidos, sejam eles esses Imperadores pobres ou ricos, com algum nível de instrução ou não, e que são verdadeiros Reis, porque são a rocha firme da família ou de seu povo, sua comunidade, seu bairro, sua cidade, seu país!!!

Há Imperadores nas escolas, nos hospitais, em empresas, nas casas, nas ruas, na vida cotidiana: ser um Imperador é uma questão de caráter, não de poder ou dinheiro.

Ao contrário, parece-me que os homens que possuem status social e dinheiro se tornaram verdadeiros rinocerontes de Ionesco: abandonaram suas famílas, seus filhos, seus amigos, sua honra e dignidade em nome do dinheiro, da covardia, do engano, da adulação, do hedonismo, da luxúria e do egoísmo!

Eis o modelo hediondo que nos é apresentado!

A falta do Imperador na vida de uma pessoa ou na vida de uma nação é como um corpo sem cérebro; um barco frágil na tempestade; um carro sem freios e sem direção.

Porque, depois de passar pelos Arcanos antecedentes e em complemento à Imperatriz, o arquétipo da Mãe, da nutrição, da geração, da Criação, o Imperador, Animus Magnus, personifica no ser humano os aspectos racionais e estruturais da formação da personalidade, a base do indivíduo, preparando-o  para uma etapa posterior mais apurada, o contato com o Arcano número 5, o Hierofante, arquétipo do Espírito, do Divino no homem e de toda a esfera espiritual.

Alguns exemplos de homens que representaram bem esse arquétipo do Imperador, do Pai terreno, possuidores de justiça e sabedoria, mesmo dentro de suas imperfeições pessoais, humanas, mas que foram guias de todo um povo e que fizeram parte da história da Humanidade; reis, com coroa ou não: Moisés, Rei Salomão, Rei Arthur, Abraão, Imperador Marco Aurélio, Faraó Akhenaton (Amenófis IV), Abraham Lincoln, Martin Luther King.

Outros, que foram imperadores, reis ou líderes, através da tirania, da manipulação, da força, do medo e da injustiça: Adolf Hitler, Nero, Calígula, Napoleão Bonaparte, Rei Acabe, Herodes o Grande, Herodes Antipas.

E ainda há uma legião de ditadores, reis, imperadores, presidentes, líderes de governo e primeiros-ministros que manipularam e ainda manipulam, enganam, roubam e exploram todo um povo, exercendo poder em proveito próprio e/ou de seus comparsas e que assim destruíram e ainda destroem as nações, famílias e todo um povo os quais deveriam proteger, orientar e promover Justiça, sendo assim verdadeiros exemplos nefastos da inversão do arquétipo do Imperador.

E que o Criador, em toda sua Bondade, proteja e dê vida longa a todos os Imperadores cotidianos, que amam suas famílias, seus filhos, suas esposas, seus amigos e companheiros, seus alunos, seu povo, sua comunidade, e que por eles batalham com afinco de sol a sol, como guerreiros, independendo se estes Imperadores estão na lavoura, num terreno de obras, num leito de hospital, desempregados ou dirigindo a mais famosa empresa do mundo!

Parabéns a vocês, homens de verdade, Imperadores na Vida!!

(Para dar sequência ao assunto, meu próximo texto será sobre o Hierofante, Arcano número 5, o guia Espiritual). 

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