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18 de julho de 2010

Tipos Solares e Lunares


Talvez não existam duas imagens tão opostas como o nascer do dia e o nascer da noite e dois arquétipos também tão opostos e complementares em nossa psique como o Sol e a Lua.

O Sol, estrela que dá vida ao planeta, arquetipicamente representa a força ativa, o pólo masculino, a consciência, a lógica, o pensamento, o pai, a vigília, a realidade e a iluminação.
A Lua, que espelha a luz solar, satélite da Terra, nas raízes do inconsciente coletivo é a força passiva, o pólo feminino, o inconsciente, a intuição, o sentimento, a mãe, a fantasia, o sonho e o oculto.

Dentro de algumas tradições esotéricas e ocultistas, acredita-se que as pessoas possuem influências predominantes de uma ou de outra energia, independente se é homem ou mulher, ou seja, tenderiam a ser mais solares ou lunares, não só nos aspectos biológicos e fisiológicos, mas principalmente psicológicos, dirigindo, recebendo e concentrando sua energia em um ou outro arquétipo com mais frequência que no outro.

Claro que não existe o esteriótipo ou caricatura de alguém solar ou lunar: são tendências de sua personalidade, que inclusive podem oscilar em determinados períodos no mesmo indivíduo e isso é positivo, pois equilibra a psique.

Pessoas predominantemente solares são aquelas cuja personalidade é mais expansiva, mais extrovertida e quase sempre preferem as atividades diurnas às noturnas.
Os lugares que escolhem para lazer, na maioria das vezes são aqueles muito iluminados, ensolarados e abertos, como praias, montanhas, trilhas em espaços largos, alto mar ou espaços aéreos.
Os dias de sol, aliás, são fonte de inspiração, são motor para suas atividades.

De raciocínio rápido, são criativas, dinâmicas, gostam de cores vivas, de experiências novas, viagens e são muito atentas ao que acontece à sua volta.
Não se importam em correr riscos, dada a sua personalidade empreendedora e versátil.
Procuram falar o que pensam; gostam das coisas colocadas de maneira clara e objetiva.
Tornam-se excelentes líderes em várias áreas e artistas de visibilidade.
Mesmo os solares mais tímidos dificilmente ficam sozinhos, por causa de sua personalidade aberta e cativante.
Para eles é fácil manter várias atividades ao mesmo tempo, as quais são realizadas de forma entusiasmada, buscando o sucesso, elemento muito importante para eles.

O tipo solar é voltado para a forma com que se apresentam à sociedade, tendendo a se preocupar muito com o que os outros pensam sobre ele ou sobre o que ele faz.
Gostam de estar com pessoas e possuem um lado muito marcante de querer ver e ser visto; até mesmo são mais competitivos e quando passam despercebidos num local, ficam muito frustrados.
Alguns levam isso ao exagero, podendo tornar-se pessoas exibicionistas, narcisistas, fúteis, materialistas, manipuladoras e autoritárias.

Já os tipos lunares são frequentemente pessoas mais introspectivas, não necessariamente tímidas ou introvertidas, mas cuja energia interior se volta pra si mesmo, para seu mundo interno.
Pensam muito e nem sempre verbalizam o teor de seus pensamentos ou sentimentos: a vida interior é agitada, embora por fora possam parecer a mais calma e distraída das criaturas.
As atividades noturnas são atraentes a elas, são as preferidas, ao contrário das diurnas, principalmente aquelas sob o sol, que muitas vezes lhes parecem enfadonhas, cansativas e muitas vezes são até evitadas.
Dias nublados, dias frios, noites estreladas e claro, céu com lua, seja ela cheia, crescente, minguante ou mesmo nova (porque o indivíduo lunar, mesmo sem vê-la, é capaz de senti-la), produzem uma espécie de encantamento e lhes trazem vigor e inspiração.

Muito sonhadoras, são atraídas pelo que é simbólico e hermético, aquilo que está nas entrelinhas e nem sempre exposto.
O mistério, o oculto, o incomum e os temas sobrenaturais exercem muito fascínio nos tipos lunares, bem como as atividades de pesquisa e investigação.
De curiosidade aguçada, os riscos que pretendem correr são aqueles que permeiam o mistério, o não revelado e o inexplorado e não exatamente os empreendimentos cotidianos e comuns, do interesse da maioria das pessoas porque estes sim, muitas vezes são desprezados e desinteressantes para alguém com predominância do Arquétipo da Lua.

São preocupados com o que sentem, o que pensam e com seu mundo interior e dão muita importância a isso, muito mais do que com a forma e como se apresentam aos outros.
Um tipo lunar de inteligência efervescente muitas vezes sente necessidade de dar vazão à sua criatividade, surgindo assim grandes artistas, cientistas e inventores.
Os sonhos são ricos em detalhes, vivos, como se fossem uma segunda realidade e também são pessoas muito observadoras, preferindo muitas vezes ouvir que falar.

Não se importam se são notados num evento ou em ambientes sociais: ao contrário, gostam de manter um certo anonimato, não gostam de aparecer e frequentemente também são autodidatas, preferindo estudar e aprender sozinhos do que em grupos.
Um tipo lunar é muito intuitivo e sua imaginação é seu ponto mais alto.

E como vivemos numa sociedade tendenciosamente solar, competitiva, que exige ação, sucesso exterior, popularidade e visibilidade e que aplaude e recompensa indivíduos assim, as pessoas com a energia da Lua são vistas como excêntricas, “lunáticas”, cheias de fantasias, esquisitas e anti-sociais e talvez por isso sejam realmente compreendidas por poucas pessoas que as cercam e se forem artistas, não é raro que tenham reconhecimento muito tardio ou só depois da morte.

Algumas também, assim como os “filhos do Sol”, vão aos extremos de suas tendências da Lua, podendo desenvolver depressão, dispersão ou tornarem-se pessoas sugestionáveis, vulneráveis, muito solitárias ou cheias de ilusões.

Por isso, o ideal é procurar um equilíbrio dessas forças, buscando o lado que falta, seja através de um esporte, arte, atividade ou até variando as preferências cotidianas e de comportamento, como por exemplo, uma pessoa mais solar de vez em quando buscar atividades noturnas e mais solitárias, assim como um “filho da Lua” procurar praticar algum esporte em grupo e ao ar livre.

Essas energias, solar e lunar, se manifestam não só nos seres humanos individualmente, mas também podemos notá-las nas tendências de uma época, no zeitgeist, no espírito do tempo de uma geração ou mesmo na moda, nas artes, nos movimentos culturais e até num país inteiro. Os povos latinos desenvolvem bem mais o arquétipo do sol em suas vidas do que os povos do leste europeu ou dos países nórdicos, por exemplo, mais lunares.

Podemos pensar também em alguns artistas e personalidades da História que são bons exemplos desses tipos de manifestação arquetípicas.

Tipos solares: Richard Wagner, Napoleão Bonaparte, Cleópatra, Júlio César, Faraó Akhenaton, Nefertiti, Madonna, Mick Jagger, Jorge Amado, Alexandre, o Grande, Cher.
Na mitologia: Zeus, Helios, Hórus, Rá.
Signos mais Solares: Áries e Leão.
Elemento principal: Fogo.
Nas lâminas do Tarot: O Sol, o Carro, O Imperador, A Imperatriz, A Força.

Tipos lunares: Nostradamus, Amy Lee, Aaron Stainthorpe, Sigmund Freud, Carl Jung, Frederic Chopin, William Blake, Charles Baudelaire, Edvard Munch, Clarice Lispector, Augusto dos Anjos, Arthur Rimbaud, Fernando Pessoa, Virginia Wolf, Jean Paul Sartre.
Na Mitologia: Perséfone, Hécate, Lilith, Toth.
Signos mais Lunares: Câncer e Escorpião.
Elemento principal: Água.
Nas lâminas do Tarot: A Sacerdotisa, A Lua, O Eremita, O Enforcado, A Estrela

E só a própria pessoa é capaz de identificar que arquétipo é mais presente em sua vida: também, como a psique opera através de opostos, perceber a energia que é menos utilizada, menos aparente e que fica no inconsciente.
E muitas riquezas podem estar esperando no porão de nossa psique, para que, sem preconceitos ou rótulos, sejam também desenvolvidas.

18 de junho de 2010

A Lua e os Caminhos da Noite





   “Para ser grande, sê inteiro: nada
       Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.”
-Ricardo Reis- (Fernando Pessoa)


“Disseram-me um dia que só os insensatos partiam em viagens noturnas.
Que todos os barcos, todas as viagens pereciam nas madrugadas.
Covardemente acreditei.
E hoje tenho um eterno náufrago à minha porta.”
( Carlos Montez)


É noite de Lua Cheia e no céu Ela reina absoluta.

Não há estrelas e parece ser uma noite morna, talvez até sufocante e um céu imenso, em campo aberto, forma uma amálgama com o infinito da paisagem.
Há um caminho, uma espécie de trilha, guardada por duas torres ao fundo e um lobo e um cão se posicionam como vigias dessa única passagem.
Próximo existe um lago, onde um caranguejo repousa....ou será que também espreita quem passa?
Não há mapas, nem guias, nem mesmo caravanas passam para fazer alguma companhia ou responder a alguma pergunta.

Não. Ninguém há ali.

O viajante está só e possui apenas duas opções: sentar-se com os cães e esperar a aurora ou continuar seu caminho, apesar do medo que ele deve sentir, apesar da imensa solidão, do mistério e da incerteza.

 E ir em direção à Aurora.

Se ele optar por sentar-se, o que farão os cães? E o imprevisível caranguejo?
A essa hora da noite tudo indica que a viagem solitária será longa...

O Arcano nº 18 do Tarot, a Lua, é o mais sombrio e um dos mais profundos e belos das 22 Lâminas Maiores.

Não há personagem humano nessa carta....talvez porque os cabalistas que a projetaram quisessem realmente que, com nossos olhos desprotegidos, nos sentíssemos esse viajante solitário e supostamente abandonado.

Porque as viagens, quase sempre, nos parecem mais seguras durante o dia, porque contamos sempre com aquela luz externa, representada pelo Sol, com seu brilho próprio, isto é, por tudo o que vem de fora de nós, pelas luzes e lâmpadas exteriores que nos trazem uma sensação de conforto e de proteção.

As viagens ensolaradas dão a impressão de que não haverá predadores, nem medo, nem dificuldades e de que sempre poderemos encontrar alguém pelo caminho, para conversar, dividir um alimento, indicar rotas, aproveitar o dia e quando o temido crepúsculo chegar, simplesmente repousarmos nossas cabeças sob um canto seguro e esperar a chegada da manhã e sua claridade.

Esses nossos sóis cotidianos podem ser a família, a sociedade, os grupos dos quais fazemos parte, nossos costumes e hábitos que são, na maior parte das vezes, todos eles, auxiliares para a direção de nosso ego.
Fazem parte de nossa consciência, daquilo que temos por conhecido e revelado.
São também, na esfera de nosso Espírito, num plano mais profundo, a sabedoria que jorra sobre nossas cabeças, através de mestres, professores ou de pessoas que já passaram por certas trajetórias e que nos servem de guia em nossas próprias trilhas.

Mas aqui a viagem proposta é outra.
E ela é necessária e deve anteceder essas estradas guiadas.

Então, vamos voltar à imagem da carta.

Sentar-se ou prosseguir no caminho...

Estará o viajante assim, tão solitário como pensa estar?
O que esses três animais querem dizer?
O que as torres indicam?
E a Lua, acima em toda a cena?

A Lua, nas raízes do inconsciente coletivo é a força passiva, o pólo feminino, o inconsciente, a intuição, o sentimento, a mãe, a proteção, a fantasia, o sonho, o Guia Interior e o Oculto.
Ela não representa, como o Sol, nosso ego, nossa consciência, nossos condicionamentos e os portos-seguros que construímos ao longo da vida.
Ao contrário: esse arquétipo é tudo o que mora dentro de nossa alma e que só nos surge, visível assim, nessas situações, nessas Viagens Arcanas, sob sua luz, sem rotas com faróis exteriores, sem mapas, sem placas, ou seja: uma viagem sob a Lua é a maior chance de nos conhecermos realmente.

É exatamente na solidão que a sombra da noite silenciosa nos proporciona, é aí e em nenhum outro momento que poderemos contar com o único guia que temos por perto, o Guia Interior.

O arquétipo da Lua é a Iluminação de dentro, aquela que usamos quando as coisas não estão “claras como a luz do sol”; quando nossa lógica, nossa mente racional já não mais nos ajuda.

Quando estamos perdidos na imensidão de nós mesmos...

Porque somos povoados por tantas pessoas que brigam dentro de nós, que querem coisas contrárias, que exigem que nosso ego, o mediador e senhor dessas cidades internas, tome uma posição diante desses conflitos.

Então é preciso realizar essas jornadas interiores, contando com nossos instintos (os mais dóceis, do cão, e também os mais selvagens, do lobo); olhar para o passado, para tudo que já realizamos, para os sonhos ainda submersos no lago (o caranguejo); olhar para a frente, para as cidades além de nossa visão ( as torres) e usando sempre nossa habilidade de enxergar as coisas em situações noturnas e confusas.

A Lua nos inspira, incita um outro olhar sobre a paisagem: aquela segurança dos dias de sol....poderá também ser ilusória....temos que nos lembrar sempre disso.
Aquelas companhias de viagens diurnas podem ser efêmeras, mas nunca será passageira a companhia que a Lua, lá de cima, nos pede para dar atenção, sempre: a própria Alma.

Depois dessa viagem interior, se for realizada com tranquilidade, livre de medos e atentos aos perigos das ilusões, a Lua, nossa guia, terá apontado o tempo todo que estamos perto de encontrar nossa individuação, o casamento alquímico de todos os aspectos que residem dentro de nós.

E esses aspectos contrários não serão mais motivo de medo.
Encontrarão, com o sorriso benevolente da Lua, a paz e a integração.
Os dois pilares da personalidade, nossas torres, estão bem posicionados e precisamos passar por eles.
São nossas fortalezas interiores que esperam nosso encontro.

Estamos na 18º Passagem, perto do Mundo, o último Arcano.
Então, confie em sua Luz Interior, em sua Lua enorme que te guia.
Ela revela sua essência, você sem rótulos, sem críticas externas e sem as luzes e holofotes que vêm de fora.

Com coragem, você não se sentou com os cães à espera da manhã e seguiu o caminho que já esperava por você.
O caminho para si mesmo. Como todo herói.

Não vieram as caravanas e você não dividiu alimento com algum passante; ninguém te deu mapas, nem repouso.
Não houve farol nem companhias: e você acabou conhecendo alguém tão diferente e especial nessa estrada...

Porque a solidão que parecia ser tão aterrorizante era também uma ilusão.
Era um encontro único e mágicko.

Os caminhos da noite não são solitários e estar com a própria Alma, com os sentimentos, a intuição e os próprios sonhos é a mais incrível e insubstituível das companhias.
Boa Viagem!!

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