Mostrando postagens com marcador Iniciação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Iniciação. Mostrar todas as postagens

22 de junho de 2016

Morte e Liberdade: Quando Tudo Perde o Sentido e Isso é Ótimo




Um dia ela acordou triste. Sentou-se na cama e não teve vontade de ir trabalhar.
Perguntava a si mesma pra quê tudo aquilo: aquela casa bonita (pelo menos bonita em seu conceito de beleza),  minuciosamente montada até ficar com a “sua cara” ; perguntou  porque havia gasto tanto dinheiro em móveis, peças de decoração, lençóis novos, se sua vida não mudara.
O homem que amava estava longe e não sabia se voltaria.
A família não se importava com ela: afinal, ela sabia se virar sozinha. Sempre soube. Era tão auto-suficiente, inteligente, capaz, tão Mulher Maravilha, que podia fazer tudo sozinha.  E na mente dos pais dela, ela não precisava de ajuda, de atenção, de presença paterna, materna, de motivos de preocupação, justamente por ser assim, tão eficiente.
Uma Wonder Woman  punida e esquecida, por ser tão Maravilha.

Mas foi trabalhar. Afinal, precisava ganhar dinheiro para se manter e manter seus cachorros.
E dias foram passando, passando, semanas, e ela foi perdendo o interesse nas coisas.
Procurou um psiquiatra, que receitou alguns antidepressivos. Começou a tomá-los, sem sucesso.
Ainda não via mais graça nas coisas que antes dava valor e que a faziam pular de alegria, corar de vergonha, chorar de tristeza, pisotear de raiva, revirar os olhos de saudade.

Trocou de psiquiatra. O segundo receitou remédios mais modernos, e dessa vez, o fracasso foi ainda maior.
Ela dormia bem, se alimentava bem, ia trabalhar, cuidava com esmero da casa, pagava todas as contas, mas era apática diante de quase tudo e mais ainda diante das pessoas.
A opinião delas, o interesse delas, a aprovação delas era totalmente desprezível.  Até as mais próximas, para ela, perderam a importância.
Procurou outro médico. Outros remédios. Em vão.

Meses foram passando e ela continuou do mesmo jeito.
Pior: cada dia que passava, era mais uma coisa, mais uma pessoa, mais um valor que ia para o ralo. E que não tinha retorno.
Pouca coisa havia restado em sua vida: uns dois amigos, dos mais de 100 que possuía, só dois que ela realmente ainda tinha vontade de ver ; seus discos, livros, sua casa, seus cachorros. Passou a ir a shows de rock sozinha, burlando convites e fugindo dos amigos.
Até o homem que amava, quando voltou, para ela já não era o mesmo. Porque ela já não era a mesma.

Então, um dia ela acordou conformada. Sentou-se na cama e  ficou pensando.
Desistiu de tentar se entender. Sabia que estava vendo o mundo  com outros olhos e que essa era uma viagem sem volta.
Estava numa jornada longa e solitária. Pessoas que gostavam de aparecer, que necessitavam de aplausos de outras pessoas, que  eram influenciadas pelas opiniões de outras pessoas,  essa gente não a entenderia. 
Jogou todos os antidepressivos no lixo. Fez uma limpeza nos armários. Doou roupas, livros, rasgou fotos, jogou fora velhos sonhos. Não. Não eram mais sonhos.
Seu velho mundo já não fazia mais sentido e ainda, apenas ainda, não vislumbrara um novo mundo para por no lugar.
Era só uma questão de tempo, de  espera, de paciência. 
Precisava usufruir do vazio. Do silêncio. Da penumbra. Precisava de paz e de uma momentânea, suave e necessária solidão.
Era só isso. Apenas isso. Precisava do silêncio e do vazio até encontrar um novo mundo. 
Não estava mais triste. Estava livre.

21 de junho de 2016

Espelho Negro, Espelho Mágico e Scrying



Todos  já  ouviram  a história de Branca de Neve e sua madrasta malvada que, quando precisava descobrir  uma verdade oculta,  sempre consultava  um espelho  mágico.
Já  viram filmes onde uma cigana trabalhava com uma bola de cristal. Também já ouviram  falar dos  antigos que conseguiam  ver o futuro através das labaredas de uma fogueira, ou mesmo da observação de cristais ou das águas de um rio escuro. O famoso vidente francês, Michel de Nostradamus, usou a técnica para escrever as suas famosas profecias, as  Centúrias.

As técnicas de observação  acima citadas chamam-se  Scrying (vidência)  e consistem no olhar contínuo  para objetos ou meios geralmente refletores de luz, translúcidos,  brilhantes,  tais como pedras, cristais, espelhos, águas ou  fogo,  objetos esses que  seriam um veículo para a visão paranormal.
Devido à prática dessa técnica, alguns objetos passaram a ser mais utilizados que outros, como por exemplo, o espelho negro, do qual quero tratar aqui.

Tentando reunir minha experiência pessoal e tudo o que recolhi em textos e artigos sobre o assunto, esboçarei alguns aspectos da prática de observação do espelho negro ou espelho mágico, alertando que nunca, mas nunca mesmo, deve  ser  utilizada para brincadeiras  ou jogos e que  é preciso  pensar muito antes de fazê-la, pois você não escolherá  e nem controlará o conteúdo daquilo que vai ver.
Portanto, pense.
  
A Técnica

O espelho negro, no que diz respeito à sua confecção, varia muito de natureza:  pode ser de vidro, cristal ou feito das pedras obsidiana ou ônix.

O tamanho também é variável, mas aconselha-se a  ter no mínimo o tamanho de um  porta-retrato  comum, de 10x15 cm e no máximo a altura do observador.
Sendo do tamanho de um porta-retratos, deverá estar perto dos olhos do observador e se for suficientemente grande, deverá estar encostado em uma parede e observador deverá estar sentado diante dele.
Então, encontra-se um local calmo, escuro e silencioso e acende-se apenas uma fonte de luz, geralmente uma vela de chama fraca, que deve ficar à direita ou à esquerda do observador e um pouco afastada, para que a luz seja indireta e não reflita na superfície do espelho.
O resultado final da iluminação deve ser de tal modo que o observador não veja no espelho nenhuma imagem do ambiente, nem mesmo a sua própria imagem.

Sentado diante do espelho, mentalmente diz-se a intenção da consulta, ou simplesmente dispõe-se diante dele sem perguntas, e espera-se o fenômeno  começar.

A primeira coisa que acontece é a observação  de uma espécie de fumaça branca, ou névoas, como fumaça de cigarro que sobe, em 3D: essa “fumaça” pode durar alguns segundos ou minutos.
Das experiências que tive, se essa fumaça ou névoa permanecer  por muito tempo diante dos olhos do observador,  geralmente por mais de 20 minutos ou se nem mesmo ela surgir, deve-se abandonar  a tentativa e deixar para outro dia; insistências só gerarão cansaço e ansiedade, dois estados que devem ser sempre evitados.
Caso essas névoas apareçam como falei anteriormente, logo desaparecerão, deixando em seu lugar uma espécie de vácuo escuro e profundo entre os olhos do observador e a superfície do espelho.Como um céu nebuloso que de repente fica "limpo".
A impressão que temos  é a de que o espelho tornou-se mais profundo.

E logo essa impressão se confirma : as imagens  começam a se formar, podendo ser  estáticas, como se fossem uma fotografia,  ou em movimento, com total autonomia e sem nenhum desejo ou  interferência do observador, como se esse assistisse a um filme.
As imagens também podem ser coloridas, branco e pretas ou monocromáticas; podem se formar de uma só vez  ou irem  se formando aos poucos; podem ser imagens de pessoas, animais, paisagens, objetos ou cenas completas, inteirinhas,  de uma  nitidez e realismo espantosos.
Também  são sempre tridimensionais e se projetam entre o espelho e os olhos do observador,  sendo proporcionais ao tamanho do espelho; por isso ele não deve ser muito pequeno nem muito grande, para não comprometer a boa visão das imagens.

Aqui dou um conselho: o observador não deve tentar interpretar o que está vendo no momento da observação  e nem esperar, ansioso, pelo que poderá ver; deve apenas deixar-se levar pela experiência, como se estivesse sentado numa sala de cinema diante da tela  e não soubesse, não tivesse a menor  ideia  do  filme que está prestes a assistir.
Isso é extremamente importante e aqui  é necessário outro alerta: deve-se estar preparado psicologicamente e emocionalmente para tudo o que surgir!!! Tudo mesmo!! 

Aí talvez resida a parte mais difícil, o que me leva a crer que a observação do espelho negro é para poucas pessoas, porque é preciso coragem e autocontrole.
É claro que a maioria das pessoas gostaria de ver coisas lindas surgindo à sua frente; cenas familiares, pessoas bonitas, flores ou paisagens.
O problema é que o observador não tem controle sobre as imagens e ele poderá ver cenas muito desagradáveis e, segundo alguns relatos, até mesmo imagens de pessoas já falecidas.

Portanto cuidado: pense muito, antes de se aventurar nessa jornada.
 
A Condição do Observador

O observador deverá ter 2 elementos  em mente:

     1)  Ele pode parar a observação a qualquer momento, caso sinta-se incomodado, com medo, desconfortável ou qualquer outra razão.  Não está ali por obrigação e sim por sua completa vontade.
2)   Poderá ocorrer um transe ou uma espécie de torpor,  como também sensações térmicas ou mesmo sonoras, durante a experiência de scrying.

Feitas essas ressalvas, é importante relembrar que toda interpretação das imagens deverá ser feita depois, bem como a memorização do próprio estado físico e emocional na hora da vidência, isto é, se foram sentidos calor, frio, arrepio, sonolência; se foram vistas outras  imagens além das originadas no espelho e todas as sensações emocionais e mentais no momento da experiência.

Por isso, acho interessante manter um caderno e uma caneta ao lado para que, assim que a experiência termine, seja possível  anotar tudo o que puder sobre ela.

A Origem e  Interpretação das Imagens

Há várias hipóteses para a origem e a natureza das imagens.

A primeira prega  que são imagens puramente vindas do inconsciente e que seriam desejos reprimidos, representação de arquétipos, realização de desejos, como nos sonhos que temos dormindo.

A segunda diz que as imagens são frutos de contatos que mantemos com os mortos ou com os seres astrais e o espelho é o canal desse contato.

A terceira hipótese não nega nem a primeira nem a segunda, apenas as une, ou seja, as imagens são  vindas  do nosso inconsciente projetado, inconsciente esse que pode ler o passado, o presente e o futuro, porque é capaz de entrar em contato com outras dimensões da existência, com pessoas e fatos distantes no espaço e no tempo e ainda acrescenta que o espelho pode ser um canal de comunicação até mesmo  com pessoas vivas, entrando no terreno da telepatia.

Então, a imagens formadas pelo espelho poderiam ser fruto de percepção extra-sensorial, ativando no indivíduo as funções denominadas psi.

As imagens seriam:
·        - precognitivas  ou premonitórias  (visão do futuro),
·        - retrocognitivas  (visão do passado),
·         - clarividência (visão do presente, mas à distância)
·         -mediunidade (contato com os falecidos)
·         - telepatia (contato com pessoas vivas, à distância)


Mas, como saber se estamos vendo o passado, o presente ou o futuro?
Como saber se estamos vendo alguém vivo ou já falecido, ou mesmo alguém que ainda iremos conhecer?
Afinal, como interpretar as imagens?

Primeiro, tente analisar alguns aspectos das imagens.
Imagens muito místicas, repleta de simbolismos, geralmente são arquetípicas e devem ser interpretadas levando em conta aquilo que são, ou seja, simbolicamente.
Imagens de pessoas já falecidas podem ser tanto um contato real como ser um ajuste inconsciente com aquela pessoa.

Só quem passa pela experiência  pode saber o significado disso, levando em conta o que sentiu, o que vivenciou no momento.

Segundo: deixo os conselhos que recebi e o que aprendi com o scrying, de que algumas coisas só o tempo responderá; não adianta querer algumas respostas que só virão no futuro, quando as coisas estiverem acontecendo.

Passei muito tempo tentando entender o que vi e só depois que a hora chegou e que os fatos deram início  é que entendi todas as cenas, pessoas e lugares que havia visto. Tive visões agradáveis, outras não. E todas se confirmaram. Tive também visões do passado de alguém, fatos que eu não tinha conhecimento, e que depois pude confirmar que realmente ocorreram.

Terceiro: não se esqueça que a prática é um canal para o conteúdo inconsciente, seja ele de natureza precognitiva, retrocognitiva, telepática ou outra ainda desconhecida.
Acessar o inconsciente, sem um preparo psíquico, pode ser extremamente perigoso, levando a alucinações e distúrbios de natureza psicológica e emocional, sem contar com o fato de que talvez você não tenha estrutura para lidar com o que verá ou ainda, talvez nem mesmo consiga interpretar o que viu.

Espero, com esse texto, ter ajudado àqueles que já passaram pela experiência de scrying e que, como eu, ficaram meio perdidos em busca de respostas e explicações para a aventura que é adentrar o Mundo Oculto.

22 de junho de 2015

Lúcifer: Anjo Caído?




"Vivemos numa atmosfera de escuridão e desespero... porque nossos olhos estão voltados e fitos na terra, repleta de manifestações físicas e grosseiramente materiais.
Se, ao invés disso, o homem, prosseguindo na jornada de sua vida, olhasse não para o céu - o que é apenas uma figura de retórica - mas para dentro de si mesmo, e centralizasse seu ponto de observação no homem interior, muito logo escaparia dos rolos compressores da grande serpente da escuridão.”
  (Helena Blavatsky, Revista Lúcifer)

O que posto aqui é um tema difícil, que toca em conceitos, preconceitos, fé, religiões, pensamentos, filosofias, mas não vou deixar de expor o que penso e as perguntas que rondam minha mente.
Longe de ofender essa ou aquela religião, apenas quero exercer meu livre pensamento, construído principalmente através de minhas indagações, observações e críticas pessoais e é por isso que ainda escrevo aqui.

A história de Lúcifer, o Anjo Caído, nunca me convenceu.

Segundo a lenda ou o mito, Lúcifer foi um anjo a quem Deus, o Criador, deu a nobre, especial e singular missão de portar a Luz.
Essa Luz, creio, não é a luz que nossos olhos conhecem e sim um símbolo para o Conhecimento, para a Verdade, para a tomada de consciência das coisas que se encontram ocultas em nós e além de nós.

Como anjo, era perfeito, sábio, íntegro, incorruptível.

Seu nome, Lúcifer, vem do latim: Lucem (genitivo do latim de lux, luz, ou seja, “da luz”) e Ferre (do verbo latino portar, levar), formando a expressão “Portador da Luz”.

Mas Lúcifer, segundo a história ou o mito, possuído de orgulho, almejou o próprio trono de Deus.
E Deus, diante desses fatos, expulsou o anjo do Paraíso, provocando sua famosa queda, não uma queda física, mas espiritual e moral e como uma espécie de vingança, Lúcifer construiu seu próprio reino, o Inferno, tornando-se o adversário número um do Criador, arrastando milhões de almas para o erro, para o engano, a mentira, para o mal, para a escuridão, para longe da Verdade, para longe da Luz, recebendo posteriormente os nomes de Satã, Saitan, Satanás, Diabo, Demônio, tornando-se o Adversário, o Inimigo de Deus e consequentemente, o Inimigo da Humanidade.

Teria construído esse reino particular porque, ao receber de Deus a tocha da Iluminação, julgou-se capaz e merecedor de possuir um reino próprio, mesmo que fosse na oposição.
Um reino constituído de escuridão, principalmente a  espiritual.

Segundo a lenda, teria deixado sua nobre e mais alta missão por orgulho e vaidade.
Dois sentimentos muito humanos....
Lúcifer, na Bíblia, mais precisamente em Isaías, 14:12-15, é chamado de “Estrela da Manhã”, a primeira luz que aparece na escuridão da noite, antes do astro – rei , o Sol, surgir no horizonte e a primeira que surge após o Sol se por.
Sabemos hoje que é o planeta Vênus, também chamado popularmente de Estrela D’Alva,  Estrela da Aurora e em hebraico, Heilel Ben Shachar.
Nessa passagem é supostamente narrada a queda de um anjo, assim como em Ezequiel 28:12-19.
Eis os links para quem se interessar em lê-los na íntegra:

http://www.bibliaonline.com.br/acf/is/14

 http://www.bibliaonline.com.br/acf/ez/28


Mas, para alguns estudiosos, a entidade descrita nas passagens bíblicas não seria um anjo expulso do Céu, mas um grande rei da Babilônia que, por ter sido tirano, ingrato e arrogante, teria caído em desgraça pela vontade de Deus.

Lúcifer, por outro lado, também tem correspondência com Phosphorus, ou Fósforo, deus grego que é retratado com uma tocha na mão e cujo nome também significa...Portador da Luz.
Mas o que prevalece mesmo, o que chama a atenção é que o Anjo Caído tem muitas versões de como ele teria se tornado um anjo orgulhoso, prepotente e vaidoso, ao ponto de “cair ”.

Agora, vamos pensar, ou melhor, vamos indagar algumas coisas.

Deus, que é Onipresente, Onipotente, Onisciente, que sabe tudo o que está no coração dos homens e de Seus Anjos, sempre soube e sempre saberá; que conhece o íntimo de cada criação Sua, iria entregar a Luz, a Sua Luz, a Luz da Verdade, a Tocha simbólica que ilumina tudo o que se encontra nas trevas, nas mãos de um Anjo que logo mostraria sua face de orgulhoso, prepotente, arrogante, invejoso?

Pergunto: o que é perfeito desde sua criação pode se corromper?
Como, onde e quando o que é belo, sábio, puro, íntegro, justo, supremo, como são os anjos, pode se tornar ignorante, terrível e injusto?

Ora, dirão alguns: Deus fez isso para testar o livro arbítrio de Lúcifer!!
Mas, pergunto: Ele entregaria a Luz a alguém que Ele duvidava da índole?
Entregaria a Luz, só para “testá-lo”?

Sobre Lúcifer: criado belo, justo, resplendoroso, sábio, iluminado, de repente é tomado por sentimentos antes em si  inexistentes, tornando-se assim justamente o oposto daquilo que ele era antes?
Ou mesmo que tivesse camuflado sua verdadeira face, o Criador não perceberia?
E como alguém que já conhece a Verdade desde seu nascimento, pode mergulhar na mais completa ignorância, agindo como agiu esse anjo?

Entre nós humanos, há alguém que atingiu a luz e a sabedoria e que, por vontade própria, “resolve” tornar-se igual ou pior ao mais cego e errático entre todos os seres?
Nós humanos não seríamos capazes de tal idiotice, mas Lúcifer, segundo o mito, foi capaz de tal façanha!

Alguns me dirão que o Conhecimento e a Sabedoria, sem o Amor que as fecunda, tornam-se um grande Mal.
Concordo totalmente.
É só olhar muitas das produções da Ciência dos homens, com suas bombas atômicas, seus experimentos científicos cruéis, muitos dos progressos tecnológicos destruidores, onde tudo tende ao favorecimento de poucas nações, nessa Terra já tão desgastada por tantas barbáries e injustiças e onde cresce, a cada dia, a selvageria e a falta de amor pelos outros.

E isso não é Conhecimento!!
Isso é Ciência, aplicada para a destruição de muitos, para a obtenção do poder de alguns.

Coisas feitas por humanos, jamais por anjos de Deus!!


Lúcifer, o encarregado de dissipar as trevas na alma humana, não era humano.
Anjo, era  Sua centelha.
Mito, era  Sua Criação.
Instância psíquica em nós, porta, para nós, Sua Luz.
É uma de Suas Estrelas, como todos os Seus Anjos.

Sei que existem por aí seitas e pessoas que se dizem luciferianas ou luciferianistas, e que muitos deles só repetem o hedonismo, o materialismo e a falta de compaixão pelos outros, tão difundidas pelo sistema vigente, sistema esse que se diz às vezes inclusive cristão, praticando assim o narcisismo e seguindo uma série de dogmas e ritos para se dar bem na vida e obter prazer a qualquer preço.

Obter prazer, nunca a Luz.
Repetem, em nome de Lúcifer, a ignorância.
E não ajudam ninguém! Nem a si mesmos!
Só olham para seus umbigos, sedentos de prazer e procurando apenas satisfação pessoal.
Outros, pregam a abominável “relatividade do Mal”, para assim, poder praticá-lo e justificá-lo.
(Nesse mundo caótico e sem ética, muitas atrocidades físicas, espirituais, psicológicas e filosóficas tem sido cometidas em nome desse Mal Relativo.....)
Não ajudam a iluminar, não contribuem para que o outro e para que ele mesmo evolua como pessoa e espírito; não ajudam a tirar as vendas escuras dos olhos espirituais de quem quer que seja, nem as suas próprias vendas, para que assim possam enxergar e desenvolver seus talentos.

É sempre o mesmíssimo materialismo absurdo e ceifador, esse perpetrado pelos homens, seja em nome de Cristo, de Deus, do Diabo, de Lúcifer ou de qualquer outro ser etéreo, habitante em nós ou nos confins do Desconhecido.

Se há um Diabo mau, reinando no Inferno?
Talvez. E se há, creio ter sido alguém que já foi humano. Talvez nem ele exista fisicamente, mas apenas dentro de nós, em forma de nossas sombras, ódios, ignorância e de nossos medos.
Mas certamente, não é o Portador da Luz.


Então....se Lúcifer existiu, como entidade angelical ou corpórea, ou semi-corpórea, ou se é uma lenda, ou um mito, ou uma representação arquetípica, sendo deste modo um símbolo de algo muito mais profundo em nossa psique, quem foi que derrubou Lúcifer e por quê?
Quem o condenou ao fogo do ódio humano?
A quem interessa demonizar e relacionar ao Mal alguém encarregado de levar a Luz, Sabedoria, Conhecimento, Verdade e consequentemente, Independência e Liberdade, ou melhor dizendo, Libertação aos homens?

Quem ou o quê condenou a Primeira Estrela, a Primeira Luz da Manhã ao ódio de quase toda a humanidade, durante tantos séculos, até hoje?

A quem interessa que a Humanidade continue encerrada na caverna, a caverna da ignorância, não das coisas científicas, não a das matemáticas, mas das espirituais, humanidade que vive assustada com as sombras que são manipuladas e projetadas do lado de fora?
A quem interessa que homens e mulheres desse mundo vivam com medo, escravos de doutrinas e rituais estéreis, subjugados ao terror da ideia de inferno e condenação eternos?
Quem cultiva, durante séculos, senão milênios, a ignorância, o medo, a futilidade, a superficialidade, o materialismo e a falta de liberdade e espiritualidade nas pessoas?
Quem ou o quê vem trazendo mortes, erros, injustiças, medo, ódio, intolerância, terror, materialismo, escuridão, mentiras e fanatismo, desviando as pessoas de seus caminhos de Luz há muitos e muitos milênios?

A Estrela Matutina? Aquele que Porta a Luz? O encarregado de trazer o Conhecimento e tirar das grutas da ignorância e da servidão todos os povos?

A quem tens incomodado tanto, Lúcifer?
Por que, justamente o Anjo que carregava a Luz iria se tornar o “rebelde condenável”, entre tantos outros anjos?
Que perigo há em levar a Luz onde há trevas, aliás, ação que é castigada desde o mito de Prometeu?

Sei que muita gente se assusta com a ideia de que esse anjo, lenda, mito, entidade espiritual ou psíquica, não seja a criatura grotesca e tenebrosa propagada pelas igrejas, impérios e pelos governos através dos tempos, desde a Idade Média e outras Idades das Trevas, inclusive essa na qual vivemos.
Sei que o nome “Lúcifer”, por muito tempo, ainda causará arrepios e terror, naquelas pessoas  apegadas demais a dogmas e conceitos impostos, impedidas de qualquer exercício de livre pensamento e de crítica.

Sei também que os algozes instalados nas instituições seculares, sejam elas políticas, religiosas ou de qualquer outra natureza e que ainda controlam as massas amedrontadas e escravizadas, continuarão a apontar suas lanças afiadas cheias de veneno e de ódio aos céus, a cada manhã e a cada pôr-do-sol  em que a Estrela Matutina brilhar no horizonte, anunciando os vindouros dias de sabedoria, conhecimento, paz e libertação. 

Sei ainda que afirmarão ad eternum todas as suas mentiras, distorções, deturpações e ilusões, para que quaisquer portadores de Luz, para que aqueles que iluminam primeiro dentro, ajudando assim a perfazer o encontro do Grande Caminho de Volta ao Criador, sejam devidamente difamados, condenados e para sempre, exilados.

Encerro esse meu longo texto com outro de Helena Blavatsky, ao explicar o porquê de ter corajosamente escolhido o  nome de  “Lúcifer”,  para sua revista de Teosofia lançada no século XIX:

“...Assim, para uma tentativa de tal natureza, não poderia ser encontrado título melhor do que o escolhido.
"Lúcifer" é a clara estrela da manhã, a precursora do brilho pleno do sol do meio-dia — o Eósforo dos gregos.
Ela brilha timidamente ao alvorecer, ganhando força e ofuscando os olhos depois do pôr-do-sol, como seu irmão "Héspero" — a radiante estrela vespertina ou o planeta Vênus. 

Não há símbolo mais apropriado para o trabalho proposto de lançar um raio de verdade em tudo o que está escondido pela escuridão do preconceito, por incorreta interpretação social ou religiosa e, sobretudo, pelo comportamento cotidiano absurdo que faz com que, uma vez que uma certa ação, coisa ou nome, tenha sido estigmatizado por algum tipo de difamação, mesmo que injustamente, as pessoas ditas respeitáveis virem-lhes as costas indignadas, recusando-se até mesmo a olhar para o fato sob qualquer outro ângulo que não o sancionado pela opinião pública. 

Este esforço para forçar os pusilânimes a olharem a verdade diretamente nos olhos é auxiliado de forma mais eficaz por um título que pertence à categoria dos nomes estigmatizados.
Leitores mais inclinados à pieguice podem argumentar que "Lúcifer" é aceito em todas as igrejas como um dos muitos nomes do Diabo.
Segundo a magnífica ficção de Milton, Lúcifer é Satã, o anjo "rebelde", inimigo de Deus e do homem. 

Entretanto, ao analisarmos sua rebeldia, constatamos que sua natureza não passa de uma afirmação do livre arbítrio e do pensamento independente, como se Lúcifer tivesse nascido no século XIX....”                              
Helena P. Blavatsky
[Revista Lúcifer, Vol. I, no 1, Setembro, 1887]

Mais lidos: